Hoje foi realizada uma aula online por meio da plataforma zoom. A dinâmica proposta era a sintegração: um tipo de debate/assembleia onde muitos assuntos são discutidos ao mesmo tempo por grupos de pessoas diferentes, sendo que cada uma exerce uma função no debate. As 3 funções possíveis são: debatedor, crítico e observador.
Participei de 4 debates diferentes, nos quais exerci as funções de: observador, crítico, debatedor e debatedor. Nos primeiros debates ainda estávamos nos ajustando a ideia da prática e tivemos algumas pequenas dificuldades, mas os outros deram mais certo. Acredito que essa dinâmica acrescentou muito para o entendimento dos textos e das ideias que temos discutido em aula nas últimas semanas. Quanto ao processo, de maneira geral acho que um dos papeis mais difíceis de exercer é o papel de observador, principalmente quando você sente que tem algo a dizer sobre a discussão.
Abaixo uma síntese sobre cada um dos temas discutidos:
1) Discutir a diferença entre virtual e digital na arte e na arquitetura
Função: observadora
Síntese:
Hoje em dia é muito difícil separar o digital do virtual, já que um está muito atrelado ao outro e muitas vezes são vistos como sinônimos, porem é necessário saber diferenciá-los.
Digital se refere à ferramenta utilizada para criar coisas, já virtual é como um "estilo" de projeto/arte que é aberto para múltiplos usos, interações e interpretações. Virtual está mais ligado à experiência e imersão.
2) Discutir as possibilidades de interface e interação reativas, proativas e dialógicas (conforme discutido por Haque) problematizando o deslocamento da interface para a interação (mais interessa que a interação seja dialógica com uma interface simples do que complexificar a interface)
Função: Crítica
Síntese:
Interação reativa é aquela que funciona apenas em um sistema de ação e reação, de maneira bem limitada. Interação proativa é aquela onde o sistema antecipa certas informações, de maneira um pouco menos limitada. Interação dialógica é a que lida com um maior numero de causalidades, onde ocorre uma troca mútua entre o usuário e o sistema e ocorre muita pouca limitação da interação.
Chegamos a conclusão de que cada uma das interações tem sua importância, de maneira que não há uma melhor universalmente, depende muito do contexto e do objetivo. Além disso, é necessário que as interfaces sejam simplificadas, alcançando dessa maneira um público maior.
É sobre fazer algo interativo que seja acessado de de maneira fácil e simples.
3) Problematizar a proposta de obstáculo no contexto de abertura de possibilidades
Função: Debatedora
Síntese:
Os objetos hoje em dia por serem totalmente programados e limitados a sua função acabam se tornando obstáculos na vida das pessoas, já que não precisam que ela faça nenhuma escolha. Obstáculo é dito no sentido de que a pessoa acaba se tornando alienada e dependente daquele objeto, fazendo cada vez mais seu uso cotidiano e exercitando cada vez menos suas escolhas e interpretações de mundo.
Dessa maneira, é preciso que os objetos sejam construídos de maneira mais dialógica, interativa e comunicativa, fazendo com que as pessoas participem dos processos. É preciso aumentar as possibilidades, e dar espaço para as casualidades, tanto no sentido de objetos quando no sentido de espaços.
Assim, há uma enorme responsabilidade da parte de quem faz os objetos e os projetos, já que decidem se haverá ou não escolhas/ se ele se tornará ou não um obstáculo para o progresso do usuário. É necessário a criação de coisas que abram possibilidades, e não que as limitem.
4) Discutir a passagem da representação (quase-objeto) para “presentação” (não-objeto)
Função: debatedora
Síntese:
No mundo atual estamos muito acostumados a ver tudo como representações/ visões de mundo, dando significando a tudo que vemos. O não-objeto quebra essa expectativa de representações e significados assim como a arte concreta, tendo seu próprio significado em si mesmo e se tornando completo quando em interação com o usuário. É algo que tem múltiplas formas, múltiplas maneiras de uso e poucas limitações.
Sair das representação e passar para a presentação (não-objeto), é deixar de ser sobre você e sua visão de mundo como artista, e passar a ser sobre o objeto em si e o outro; a pessoa que interage com esse não-objeto.
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