INHOTIM: DE LAMA LÂMINA, POR MATTHEW BARNEY
A galeria escolhida para a observação foi feita especialmente para abrigar a obra De Lama Lâmina de Matthew Barney no Inhotim. É uma redoma de aço e vidro espelhada por fora, e relativamente transparente por dentro. A obra em si consiste em um trator segurando uma árvore feita de polietileno.
Ao entrar pela primeira vez e ver a obra, sem maiores informações, nosso grupo pensou que ela abordava o desmatamento. Depois de ler e conversar com o instrutor da galeria, a obra se expandiu muito e se ressignificou completamente.
O autor faz obras muito ligadas a cultura do candomblé e essa, em específico, é uma reconstrução da obra original feita no carnaval em salvador. Nessa ocasião citada o trator segurava uma árvore morta de verdade e estava cercado por aproximadamente 200 pessoas vestidas de borboleta, uma mulher reverenciando a árvore (representando a orixá da natureza Ossanha) e um homem reverenciando um trator (representando o orixá da tecnologia, ferro e guerra: Ogum). Em ambas as ocasiões, na obra original e na instalação do Inhotim, é encenada a luta entre os orixás da natureza e da tecnologia. No caso da instalação as borboletas são substituídas pela mata que cerca a galeria e o homem é substituído pela redoma de aço que envolve a cena.
Ao primeiro ver é possível pensar que Ogum estivesse ganhando essa batalha, já que quando estamos lá dentro há um grande destaque tanto para o trator, quanto para a redoma. Acontece que se observarmos mais atentamente a redoma está cercada pela mata e está no planeta terra, que é natureza em sua essência. Dessa maneira, Ossanha é representada como ganhadora nas duas versões da obra.
É interessante notar como a galeria contribui muito para a compreensão da obra, e acaba se tornando parte dela. O fato de ela ser transparente por dentro acaba fazendo com que o contato com a natureza não seja interrompido ao entrar e reforça a ideia da vitória de Ossanha. Além disso, por ser feita de aço ela traz consigo a ideia da presença de Ogum.
Muitas vezes nos atentamos somente ao que é nomeado como obra, mas o trabalho de montagem das instalações e galerias é importante em vários sentidos: para chamar a atenção do espectador, complementar ou reforçar a obra, causar sensações e etc.
De maneira geral, todas as vezes que visito o museu tenho uma visão muito diferente das mesmas obras, mas essa visita depois de ter começado o curso de arquitetura me deu uma visão muito mais ampla e atenta tanto para as obras quanto para as instalações e prédios que a abrigam e como eles se relacionam.
Junto dessa postagem estão presentes algumas fotos da galeria e 2 desenhos de observação, um interno e um externo.





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